Em sessão ordinária, Assembleia Legislativa é criticada por vereadores

por DRIELY PINOTTI publicado 06/11/2019 09h40, última modificação 06/11/2019 16h36
Motivo foi a audiência pública que debateu os serviços prestados pela Energisa, que aconteceu no mesmo dia e da sessão, impossibilitando assim, a participação dos parlamentares no debate

A audiência pública realizada nesta segunda-feira (04), em Primavera do Leste, para discutir os serviços prestados pela Energisa e levantar apontamentos que serão levados para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os serviços da concessionária na Assembleia Legislativa do Estado (ALMT) foi uma das temáticas mais abordadas pelos vereadores da Câmara Municipal, durante a última sessão ordinária. A realização do evento no município foi proposto pelo deputado Ulysses de Moraes (DC) e, aconteceu no mesmo dia e horário da sessão Legislativa, impossibilitando assim, a participação dos parlamentares no debate de um tema que é discutido com frequência na Casa de Leis.

Para o vereador Manoel Mazzutti (MDB), a Assembleia Legislativa precisa verificar que em Primavera do Leste existe uma Câmara de Vereadores atuante. “Não é possível que se faça uma audiência às 19h, de uma segunda-feira, no mesmo momento da sessão ordinária, que acontece há mais de vinte anos no mesmo dia e horário”, disse. Ele ainda salientou que “essa Casa nunca se furtou dos problemas que a população enfrenta e, prova disso, é o trabalho que fizemos na CPI da Águas de Primavera, com a relatoria do vereador Piru e presidência do Luis Costa. Esse tipo de trabalho deveria ser exemplo e modelo para esta CPI da Energisa, porque as demandas, os abusos e os transtornos podem ser diferente, mas não há nenhum tipo de diferença no abuso contra a população. Deixo meu registro ao Botelho, presidente da Assembleia, para que essa Casa seja consultada quando tiver audiência em nosso município”.

O vereador Miley Alves (PV) também manifestou o descontentamento em relação a audiência. Segundo o parlamentar, “é um desacato à democracia de esse parlamento fazer uma audiência pública desse tamanho e a Câmara não ser envolvida, sendo que a legitima representação da população está aqui. E, por isso, fico triste com esse tipo de atitude do deputado Ulysses que está organizando”. Na ocasião, ele enalteceu a atitude do deputado Thiago Silva (MDB) que realizou esse mesmo debate, em Rondonópolis, no parlamento da Câmara Municipal, valorizando o papel parlamentar. “São temas relevantes e já foram feitas outras audiências nesta Casa e sempre estivemos à disposição”.

Conforme o parlamentar Piru (PP), essa falha também é do presidente da Assembleia, deputado Eduardo Botelho, mas é muito maior do deputado Ulysses que estava conduzindo a audiência. “Esse parlamento é importante e precisa fazer parte de ambientes de apontamentos como estes.”

Outro vereador a se manifestar contrário a forma como o deputado Ulysses de Moraes conduziu a organização do evento, foi o Luis Costa (PR). “A forma como foi conduzida a audiência pública é uma falta de respeito com essa Casa, porque somos nós que todos os dias recebemos as demandas e reclamações ligadas aos serviços prestados pela Energisa. O deputado Ulysses vem em nosso município apenas fazer politicagem, até achei que quando começou esse trabalho de investigação seria uma luz no final do túnel, mas está se tornando pura politicagem, inclusive em nossa cidade. E, ao presidente do Sindicato Rural José Nardes, que cedeu o espaço para a realização do evento e que não gosta dos vereadores, aproveita e trata com o deputado a respeito dos limites de uso de agrotóxicos nas plantações”, comentou.

Manobra de Heimlich

O vereador Juarez da Loretta (PDT) comentou da lei que entrou em vigor no dia 16 de outubro deste ano, que é de sua autoria e da vereadora Iva Viana. A nova legislação de número 1833/2019, que torna obrigatório que restaurantes, lanchonetes, praças de alimentação de centros comerciais e estabelecimentos similares de Primavera do Leste mantenham afixados cartazes explicativos que demonstrem a aplicação da manobra conhecida como “Abraço da Vida”, ou seja, manobra de Heimlich.

De acordo com a explicação do parlamentar, “a manobra é uma compressão abdominal que é empregada para desobstruir rapidamente as vias respiratórias. Utilizam-se as mãos para fazer pressão sobre o diafragma da pessoa engasgada, o que provoca uma tosse forçada, que faz com que o objeto seja expulso dos pulmões”.

AI- 5

A vereadora Edna Mahnic (PT) criticou a fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP), líder do PSL na Câmara, em sugerir a criação de um novo Ato Institucional Número 5 (AI-5), caso a esquerda radicalize. “Quero fazer uma defesa veemente do nosso sagrado direito de representar o povo primaverense e defender o direito dos mato-grossenses de votar e ser votados”. Na ocasião, ela leu um texto do Jornalista Jeferson Miola e comentou que “vereadores e vereadoras ignorar a gravidade de uma ideia como esta. É estar aqui por estar. É não amar a ideia de representatividade parlamentar, feita pelo povo e para o povo”.